009/08/2023
Agrava-se o conflito pelos pedágios na hidrovia: Paraguai recorrerá ao Tribunal do Mercosul
Após as divergências entre os dois governos sobre a cobrança de pedágios na hidrovia, o governo vizinho anunciou agora esta decisão. A raiva do Paraguai aumentou depois que a Argentina deteve e não permitiu a circulação de uma barcaça.
https://www.infocampo.com.ar/wp-content/uploads/2023/05/barcazas-soja-paraguay.png As importações de soja do Paraguai chegam aos portos de Gran Rosario por meio de barcaças, pelo rio Paraná.
O conflito com o Paraguai pela cobrança de pedágios na hidrovia voltou a se agravar nas últimas horas, depois que o chanceler do país vizinho, Rubén Ramírez, anunciou que seu país irá ao Tribunal Permanente de Revisão (TPR) do Sul Mercado Comum (Mercosul) para resolver esta controvérsia.
Além do incômodo que tem causado ao governo e às empresas paraguaias que a Administração Geral de Portos da Argentina decida cobrar pedágio pela manutenção da dragagem do Rio Paraná, acrescentou-se nas últimas horas que esta organização decidiu reter e impedi-lo de continuar navegando em uma barcaça de bandeira paraguaia.
Por isso, na quinta-feira, o chanceler Ramírez convocou o embaixador argentino no Paraguai, Óscar Domingo Peppo, para uma reunião na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Assunção, para expressar o protesto de seu país ao Governo da Argentina pela detenção que consideram “irregular” um comboio de 10 barcaças carregadas de combustível.
AO TRIBUNAL DE PEDÁGIOS NA VIA HIDROVIÁRIA
“Tomamos a decisão de recorrer ao Tribunal, com base no Tratado de Assunção, que cria o Mercosul, por violação dos artigos primeiro e segundo, que nos levam a um Tribunal de Resolução de Disputas do Mercosul”, disse Ramírez.
No entanto, enfatizou a sua disponibilidade para o diálogo como principal mecanismo para resolver esta controvérsia.
Da mesma forma, expressou sua preocupação pela falta de ações da Argentina para resolver a controvérsia e destacou que estas medidas afetam gravemente a liberdade de trânsito de mercadorias estratégicas e sensíveis para o Paraguai, que não possui litoral marítimo.
Conforme mencionado, o problema surgido nas últimas horas foi quando a Prefeitura Naval decidiu interromper a passagem da barcaça MGT-05 da empresa de navegação Mercurio Group SA, com “notificação de embargo e proibição de navegação”.
Essa embarcação faz parte de um comboio de barcaças que “opera na jurisdição de Zárate, província de Buenos Aires”, disse a empresa.
E especificou que esta medida foi emitida no âmbito do “pedido de pagamento de uma fatura de US$ 27.031, correspondente ao pedágio do trecho Santa Fé – Confluencia”.
RECLAMAÇÃO DO PARAGUAI
Neste contexto, o Itamaraty indicou que a determinação “foi tomada mesmo ignorando disposições judiciais que indicavam que o comboio não poderia ser detido”.
Além disso, para o governo daquele país, o seu homólogo argentino “longe de tomar ações que permitam a compreensão da atual polêmica, promove medidas que poderiam até ser interpretadas como deliberadas para agravar a situação”.
“Levando em consideração que se trata de uma restrição à liberdade de trânsito de mercadorias estratégicas e sensíveis para um país signatário, que comprometeu o fornecimento de combustível e a oscilação do preço do referido insumo, representa um grave impacto que repercute sobre à cadeia de valor e, em última instância, à sociedade paraguaia”, afirmou o Itamaraty.
Nesse cenário, anunciou que solicitará ao Brasil, país que ocupa a presidência pro tempore do Comitê Intergovernamental de Hidrovias, a realização “com urgência” da reunião extraordinária daquele órgão que supervisiona a operação daquela hidrovia na primeira quinzena de setembro. . artéria fluvial.
A reunião, inicialmente marcada para o final deste mês, conta com a participação de Argentina, Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai, que assinaram o Acordo de Transporte Aquaviário e Fluvial em junho de 1992.
Fonte: Info Campo
8.9.23


