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24-10-2023
Pedágio na hidrovia: usuários denunciam “ineficiência” nas obras e insistem que sua cobrança é ilegal
A Comissão Permanente de Transportes da Bacia do Prata (CPTCP), formada por usuários da hidrovia dos cinco países que a utilizam, pediu para participar das reuniões em que se tenta pôr fim às polêmicas.
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A Comissão Permanente de Transportes da Bacia do Prata (CPTCP), entidade formada pelos usuários da hidrovia navegável dos cinco países signatários do Acordo “Santa Cruz de la Sierra” (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai) , afirmou poder participar das discussões referentes à cobrança de pedágio na hidrovia.
Vale lembrar que, recentemente, houve uma forte polêmica entre Argentina e Paraguai por esse motivo, que esteve a ponto de escalar para uma apresentação judicial, após a Administração Geral dos Portos (AGP) reter um comboio de barcaças paraguaias porque supostamente havia não foi paga a portagem em causa, que o país vizinho considera ilegal.
Em todo o caso, depois de vários vaivéns neste conflito, abriu-se finalmente uma esfera de negociações, onde a CPTCP pede para ser parte activa, especialmente para definir as obras que são necessárias no troço norte da hidrovia. ; isto é, no chamado “Puerto de Santa Fe – Confluencia”.
A CONTROVÉRSIA SOBRE O pedágio na hidrovia
Segundo a CPTCP, “as recentes discussões técnicas entre os cinco países membros do Acordo, relacionadas com o conflito derivado da implementação unilateral de uma portagem no troço superior da Hidrovia, implicam perder uma oportunidade de abordar questões técnicas essenciais para o segurança da navegação na área.”
Neste âmbito, no dia 17 de outubro, ocorreu em Montevidéu (Uruguai) a Primeira Reunião de Especialistas da qual participou o Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná (CIH), onde a AGP, atual concessionária da Rota de Navegação Tronco, realizou, entre outros tópicos, uma apresentação sobre o serviço de beacon prestado na secção acima mencionada.
A CPTCP disse ter solicitado a participação nesta reunião, mas o pedido não foi deferido, e acrescentou: “Consideramos fundamental que os utentes do canal navegável tenham a possibilidade de participar em tais eventos, especialmente dada a ineficácia das obras realizadas”. no trecho “Esta questão é resultado do processo de prorrogação do contrato de concessão do setor sul da Rota Navegável Tronco (do quilômetro 460 em direção ao mar)”.
Para a Comissão Permanente, “tanto o rio como a navegação têm características completamente diferentes nos dois troços e não foi possível encontrar um desenho de obras e serviços que dê conta dessas diferenças e alcance o resultado de facilitar a navegação”.
“A participação dos utentes e especialistas do rio permitirá identificar obstáculos à navegação e criar a instância técnica e desenhar soluções tecnológicas, de acordo com os tempos atuais”, continuou a CPTCP.
MAIS REUNIÕES NA HIDROVIÁRIA
A próxima reunião do Comitê Intergovernamental de Hidrovias está marcada para o dia 31 de outubro, em Buenos Aires, e a CPTCP anunciou que solicitará mais uma vez a possibilidade de participar dela e assim contribuir com seus conhecimentos, adquiridos em muitos anos de navegação.
Neste contexto, lembrou ainda a sua posição de que as portagens que estão a ser debatidas não têm base técnica ou jurídica para serem aplicadas.
A polêmica começou quando, no início do ano, o governo argentino procedeu à implementação da cobrança de pedágio de 1,47 dólares por tonelada de registro líquido para o transporte de cabotagem que circula pelo trecho “Puerto de Santa Fe-Confluencia” da Hidrovia. .
Em seguida, em junho passado, foi realizada em Buenos Aires uma reunião da Comissão do Acordo Hidroviário Paraguai-Paraná e os representantes do Paraguai, Bolívia, Brasil e Uruguai, com base na documentação técnica apresentada pela CPTCP, determinaram que, com base nas informações apresentado pela delegação argentina, “não há fundamento para cobrança de pedágio no trecho Puerto de Santa Fe-Confluencia porque as condições hidromorfológicas do rio nesse setor permitem a navegação segura de embarcações com calado de 10 pés., 24 horas. por dia, sem necessidade de intervenções de dragagem.”
Além disso, “porque o serviço de balizamento responde a um desenho de canal que não corresponde aos canais naturais que marcam o médio Paraná e limitam as condições de navegação dos comboios, naquele trecho”.
Por este motivo, a CPTCP concluiu: “Reiteramos a nossa posição quanto ao cumprimento das disposições do Acordo de Santa Cruz de la Sierra, que estabelece que as mercadorias transportadas em trânsito aduaneiro internacional não estão sujeitas ao pagamento de impostos à importação ou exportação, com exceção do pagamento de taxas pelos serviços efetivamente prestados, algo que evidentemente não é cumprido no caso do pedágio de 1,47 dólares por tonelada de registro líquido que a Argentina tenta impor."

