26-09-2023
Hidrovía: Itamaraty não admite que processo sobre pedágio reivindicado pelo Paraguai seja julgado no exterior
Santiago Cafiero quer resolver o conflito de forma diplomática e entre parceiros do Mercosul, enquanto a administração de Santiago Peña procura judicializar a disputa no exterior.
Por Antonio D´Eramo
O Itamaraty não admite que a ação judicial sobre o pedágio reivindicado pelo Paraguai seja julgada no exterior.QUE
A polêmica sobre a cobrança de pedágios para apoiar as obras de dragagem que o Estado impôs às barcaças que transitam pela hidrovia navegável que liga a região ao mundo só se agrava devido às posições intransigentes dos contendores.
Dias atrás o presidente do Paraguai, Santiago Pena, afirmou à imprensa do seu país, “o assunto, “…é motivo de preocupação, isso não pode ser uma disputa, mas um projeto de integração“Estou propondo que os cinco países, Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, se sentem, porque há um tratado assinado na década de 1960”.
E acrescentou: “Acho que temos de convocar uma cimeira porque não se trata apenas de evitar que isso aconteça, mas de planear aquele que pode ser o projeto de integração mais importante. A bioceânica é importante, mas entre a rodovia, os trens e a Hidrovia, esta última é a mais eficiente“.
Do lado argentino, o chanceler Santiago Cafiero Ele explicou a disputa de forma mais coloquial, “o pedágio será mantido porque serve para cobrir as despesas exigidas pelas obras de dragagem e manutenção do Rio Paraná”. E ele geralmente representa graficamente: “…Se um caminhão argentino passa por uma rodovia paraguaia, paga pedágio ou não? Isto é exatamente o mesmo.
No entanto, A denúncia só ganha intensidade com as represálias por parte do Governo paraguaio que ameaça cortar o fornecimento de energia elétrica de Yacyretá, um dos assuntos mais delicados para a Argentina que convive com cortes de energia nas temporadas de verão, passando pelas declarações hostis de Peña ao candidato a ministro Sergio Massa, a quem garantiu que "não compraria carro usado", até a bizarra declaração de um legislador paraguaio que sugeriu que iria à guerra contra a Argentina e falou, na câmara parlamentar, em comprar mísseis que tenham como alvo países vizinhos.
Além do tom dialético da disputa, o Paraguai quer ir para o Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul resolver esta controvérsia e não descarta o recurso a uma arbitrariamente internacionall resolver o conflito na Hidrovia sobre cobrança de pedágio.
Nesse sentido, o Paraguai se sente apoiado pelos demais sócios fundadores do Mercosul, Brasil e Uruguai, e somou o apoio de empresários norte-americanos com interesses em Assunção que levaram o assunto às autoridades consulares dos Estados Unidos.
Na verdade, empresários domiciliados em Miami já solicitaram a intervenção do governo de Joe Biden mediar e tentar aproximar posições.
o Câmara de Comércio Paraguaio-Americana – EUA (Usapac), Câmara de Comércio Norte-Americana estabelecida em Miami, decidiu nas últimas horas trabalhar na disputa. Ele definiu fazer isso antes do “escalada de tensão” entre Argentina e Paraguai que gerou a medida unilateral e não consultiva adotada pela administração de Alberto Fernández ao impor um imposto aos navios paraguaios que transitam pela Hidrovia.
Agora, se falamos de imposição, unilateralidade e outras formas, sem dúvida, os empresários americanos com interesses na hidrovia navegável não são tão imparciais quanto a demanda merece.
A verdade é que enquanto a Argentina atravessa um processo eleitoral que moldará o seu futuro próximo, O governo Peña pretende manter pressão sobre o atual governo argentino enquanto espera por uma nova administração.
A decisão do governo Alberto Fernández de cobrar pedágio às unidades que navegam no trecho Confluencia-Santa Fé do rio Paraná é uma tentativa de arrecadar quase 20 milhões de dólares conservar de forma otimizada a hidrovia navegável, segundo os argumentos explicados pelos funcionários do Palácio San Martín, sede da Chancelaria Nacional.
O Paraguai é o principal afetado pela medida porque possui 90% das embarcações que circulam pela Hidrovia e sua frota o posiciona como a terceira potência marítima.
Além disso, goza de um benefício concedido pelo governo de Vamos mudar Maurício Macri pelo pagamento da construção da barragem binacional.
Perto de Santiago Cafiero se explica que “…segundo cálculos que incluem juros, para a construção da barragem de Yacyretá, O Paraguai deve ao nosso país cerca de US$ 12 bilhões, mas, em 2017, foi alcançado um acordo onde a dívida foi fixada em US$ 4.084 milhões, que seria paga em 20 anos com um período de carência de 10 anos.”
Analistas de comércio exterior concordam que a solução virá com um novo governo.
Desta forma, abre-se um período de carência até ao final do ano, as eleições na Argentina serão 22 de outubro, com eventual segundo turno em 19 de novembro e 10 de dezembro, tomará posse o sucessor de Alberto Fernández, sobre uma questão que em termos monetários é quantificada da seguinte forma de acordo com a resolução ministerial, “A tarifa de pedágio do trecho Porto de Santa Fé – Confluencia (Trecho II) é de US$ 1,47 por Tonelada Líquida Registrada (NTR) para transporte internacional e US$ 1,47 para transporte doméstico.”
Para os membros do Comissão Permanente de Transportes da Bacia do Prata (CPTCP), entidade que reúne os usuários da hidrovia navegável dos cinco países signatários do Acordo, é um encargo desnecessário que os privados devem pagar porque "as condições hidromorfológicas do rio no trecho "Puerto de Santa Fe-Confluencia", devido às suas profundidades naturais, permitem a navegação segura de embarcações com calado de 10 pés, 24 horas por dia, sem a necessidade de intervenções de dragagem. Por outro lado, com a tecnologia disponível, o fornecimento do o serviço de farol nessa área também não é necessário.
Segundo estimativas feitas por representantes do setor privado, representa um custo adicional para o comércio exterior dos países membros do Acordo, da ordem de 40 milhões de dólares anuais, sem qualquer compensação.
Porém, para Miguel Ángel Padilla, representante da União Industrial Argentina (UIA), ““É uma taxa que é cobrada como contrapartida de um serviço, no caso a dragagem e marcação do traçado fluvial.”
Tal como afirmou o sindicalista do setor, Juan Carlos Schmid, “se existem serviços, devem ser pagos aqui e em qualquer lugar do mundo”.
